16 de mai de 2009

MULHER BRIGADEIRO

Nos últimos tempos multiplicam-se peças publicitárias e programas de TV nos quais as mulheres têm seu corpo comparado à violão, garrafa de cerveja, dunas, plantas entre tantos outros substantivos comuns do gênero. Recordo-me de uma campanha de produto para cabelos que podia ser vista estampada em mídias de outdoor e de pontos de ônibus, uma mulher dentro de um invólucro comparada a um brigadeiro.
O que faz as mulheres submeter-se a tão desproporcionadas comparações? Seria pela simples chance de protagonizar uma peça publicitária e angariar fama, ou seria pelo recebimento de um salário que aumenta de cifras na medida em que se aparece com menos roupa? Ou existiriam outros motivos? Quais?
Até já nos acostumamos com estas imagens. Elas saem semi-despidas, inclusive, em propagandas de calçados, perfumes, jóias, e.t.c que vemos à exaustão ao passar pelas ruas da cidade. É certo que a pessoa possui arbítrio para optar por aquilo que acha certo, mas seria isso expressão de verdadeira liberdade como se alega?
Ora, observa-se nas últimas décadas uma luta da mulher pela liberdade, mas será que se pode considerar conquista o que hoje se tem neste aspecto? Afinal ganhar espaço, mesmo tendo sua dignidade esmaecida por comparações tão inferiores ao que ela realmente o é trata-se de vitória ou de fracasso?
A mulher possui um papel fundamental na sociedade no que diz respeito a humanização do homem. Quando esta não cumpre sua função abre-se uma lacuna e as consequências na comunidade humana são catastróficas.
Outro dado importante, a mulher não se encerra em seu corpo ou mera realidade exterior, ela está para, além disso tudo.
É certo, enquanto não houver uma consciência esclarecida a cerca do dom precioso e único que é a mulher muitas outras propagandas e explorações midiáticas continuarão a ofuscar a real imagem singular da figura feminina.
Isto sem falar das músicas que se referem às mulheres como animais; as danças que mais representam posições eróticas; os folhetins diários que ao acusarem baixo índice de audiência já possuem um trunfo na manga: muita nudez feminina e forte dose de cenas de sexo. Tem o triste fenômeno das mulheres frutas, mas isso é assunto para outro artigo.
Contudo não se pode acostumar-me em ver reduzido o dom precioso que é a mulher a um simples, descartável brigadeiro. Seria desatino demais pensar dentro destes parâmetros? Alguém concorda com esta opinião?

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