9 de jun de 2008

VITÓRIA DA CIÊNCIA?

É de se lamentar a decisão do STF FAVORÁVEL ao artigo 5º da lei de biossegurança, votado no último dia 29. Seis dos onze ministros que compõe a suprema corte foram aderiram à pesquisa com Células Tronco Embrionárias.
O articulista e conhecido na blogosfera nacional, Luis Nassif intitulou seu post sobre a decisão do STF de vitória da ciência. Mas, vitória da ciência sobre o que e contra quem? Vitória sobre a vida humana? Sobre o bom senso que não levou em conta a erigição de uma lei junto a assunto (os trangênicos) que exigiria formulações e debate distintos?
Ignorar que uma CTE é o estágio inicial de uma pessoa é desconhecer a origem da própria identidade biológica. A CTE já possui o código genético que caracteriza e personifica uma pessoa humana. Então, destrui-la é impedir que um ente humano venha a ser e fazer isso a título de pesquisa é realmente racional? Apenas um pouco de filosofia seria suficiente para elucidar a questão.
Repete-se como num estribilho, vitória da ciência sobre a religião, sobretudo a católica. Que grande engano. Profundo engano! O tal tema discutido e votado é de interesse que ultrapassa a circunscrição religiosa.
O interessante agora é perceber o adendo inserido no discurso de alguns cientistas, dito vitoriosos, sobre as promessas de cura com a utilização das CTEs, “o resultado dessas pesquisas não é para agora”, o que, parece contradizer com a esperança alentada e incutida às pessoas que sofrem de doenças neurodegenarativas, por exemplo.
A vitória da ciência se dá quando esta se ocupa na sua função de servir à vida, em todos os seus estágios, fora disso, trata-se apenas de conquistas de alguns que, lutam contra os verdadeiros vitoriosos, aqueles que defendem a vida, sempre.
Vanderlúcio Souza

7 de jun de 2008

PROJETO DE MORTE REJEITADO


Um suspiro ético foi dado em nosso país na quarta – feira, 08 de maio, os deputados, membros da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara, em unanimidade rejeitaram o projeto de legalização do aborto que, se arrastava por mais de quinze anos.
Em dias em que o Brasil e o mundo são impactados com notícias de violência à criança como, o caso da menina Isabella, arremessada pela janela; do bebê de dez meses do Bom Jardim,em Fortaleza que foi estuprado pelo padrinho; da filha do austríaco Frizzell, abusada e escravizada pelo pai, podemos acender uma chama de esperança ao saber que milhares de inocentes serão poupados de uma sentença mortal, apoiada pelo estado.
Acredita-se que também na Comissão de Constituição e Justiça, local onde o projeto será encaminhado para votação seja rejeitado. Votar contra o aborto é permanecer a favor da vida, que pulsa desde o primeiro instante da concepção, na pessoa humana.
As mulheres que abortaram deliberadamente, conscientes em sua decisão ou coagidas por circunstâncias exteriores trazem seqüelas emocionais, psicológicas e não poucas vezes físicas. No debate que a sociedade vem desenvolvendo por um longo período,no Brasil desde 1991, sobre o tema, está se constatando que um crime não repara outro e só causa mais violência e dano à mulher.
Atentar contra a vida em seu estágio inicial possibilita abrir uma janela para entrar toda sorte de violência à comunidade humana que, tem por obrigação primeira,e,isso é garantido pela constituição, defender os nascituros.
Resta agora promover e avalizar a estes que foi garantido o direito de nascer o direito a ter todas as condições básicas de sobrevivência, entre elas, a segurança. É inconcebível acatar quaisquer tipos de agressão a um indefeso e criado totalmente dependente de nossos cuidados.
Com esse lume de esperança aceso podemos respirar mais aliviados em tempos em que se ferem mortalmente os nascidos do próprio sangue.

Vanderlúcio Souza

UM CONTO SOBRE A UNIDADE


Rui, Guanes e Rostabal. Estes são os nomes dos três irmãos do conto O Tesouro, de Eça de Queiroz, literato da língua portuguesa. Bem pequena, a história da trinca fraterna revela o reverso do coração humano, o que este é capaz de fazer quando afoga-se nos mares da maldade.
Certa vez ao andar pelas terras de Roquelane, a tríade consangüínea achou um velho cofre que conservava três chaves. Ao abri-lo, um incêndio de ouro e pedrarias invadiu a visão. Após o estupor da descoberta entreolharam-se desconfiadamente e chegaram em um consenso: a peso de balança dividiriam o tesouro encontrado; antes, porém, escolheram Guanes para ir à cidade vizinha, a fim de comprar víveres e três botelhas de vinhoafinal estavam esfaimados e precisavam comemorar o achado.
À ausência do irmão, Rui, num argumento ludibrioso e ladino enlaça Rostabal e convence-o, ao retorno de Guanes, tirar-lhe a vida para que pudessem dividir somente entre os dois o ouro.

“Ambos se emboscaram por trás de um silvado, que dominava o atalho, estreito e pedregoso como um leito de torrente. Rostabal, assolapado na vala, tinha já a espada nua. Um vento leve arrepiou na encosta as folhas de álamos [...] Rostabal rompeu de entre a sarça por uma brecha, atirou o braço, a longa espada; — e toda lâmina se embebeu molemente na ilharga de Guanes, quando ao rumor, bruscamente, ele se virara na sela. Com um surdo arranco, tombou de lado, sobre as pedras.” (Eça de Queiroz, Contos, O Tesouro. Ediouro:1996)

Com o coração entregue à vileza, Rui não dá trégua à sua maquinação malévola; traiçoeiramente perpassa a folha de sua navalha nas costas de Guanes que encontrava-se de bruços, lavando o rosto respigado de sangue do irmão Rostabal.
Cego pela maldade e seduzido pelo brilho das pedrarias que incandesceu sua mente Rui passou a solver em goles lentos o vinho trazido por Rostabal, agora inerte ao lado do outro cadáver, o de Guanes.
O desejo exacerbado e mórbido pelo poder, também havia encontrado alojamento no coração de Rostabal. Ao comprar os víveres na cidade, adquiriu somente duas botelhas de vinho aos quais misturou veneno letal comprados no comércio numa cidade vizinha de Roquelane. Numa armação arquitetada também planejava ficar sozinho com o tesouro encontrado.
Diante do cofre cheio de dobrões de ouro achava-se estendido à mercê das aves carnívoras os corpos inertes de Rui, Guanes e Rostabal, vítimas da própria ganância.
Quando li esse conto trágico, cujo desenrolar não trata de unidade, aprendi pela via negativa que, ao quebrarmos a unidade, colocamos em risco a vida de nosso irmão, a nossa própria e a da comunidade da qual pertencemos.
Quando o vetor orientador das relações são, apenas e somente, sentimentos superficiais ditados pela concupiscência, encontram entrada larga a indiferença e o individualismo, braços indolentes que arremessam a pessoa como pássaro à rocha, deixando-a arquejar no próprio sangue, quem não se dispôs a descer e descobrir os nobres sentimentos, aqueles encontrados ao fundo, no interior de cada um.
Somente a graça de Deus pode gerar comunhão, a perfeita Koinonia, a comunhão da Trindade, contínuo derramar e acolher de amor que é paciente, prestativo, não é invejoso, não se ostenta, não se incha de orgulho, nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça, regozija-se com a verdade, do outro, tudo desculpa, crê, espera e suporta” (Cf: I Cor 13,3-8).
Os movimentos de inveja, ganância e individualismo como fortes vagas fizeram quedar mortalmente Rui, Guanes e Rostabal. A fuligem da maldade degustou seus corações, cegou-lhes a visão, empederniu até mesmo o fato de serem filhos do mesmo sangue.
Diante de nossos irmãos a Caridade de Cristo é a única virtude que pode permear de bondade e proteger os arrancos selvagens de nosso coração contra a doação. Esta Caridade é possível e a história dos três irmãos de Roquelane poderia ser diferente, a começar se o autor do conto acreditasse no Autor do amor, doador da Caridade fraterna.

Vanderlúcio Souza

CAPA


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