15 de fev. de 2009

UM CONTO SOBRE A EVANGELIZAÇÃO



‘Não existe felicidade e sim, momentos felizes’, disse-me Roberto, amigo de infância, numa conversa amistosa depois de sua viagem aos países nórdicos.Continuamos o assunto relembrando o tempo colegial e as farras de final de semana que nos proporcionou conhecer boa faixa do litoral cearense.

Roberto levou-me ao computador e mostrou-me as fotos de seu último aniversário. Rindo-se soltando um sorriso forçado deixou escapulir o comentário– percebi - com uma ponta de angústia: ‘um de meus momentos felizes...’

Daí para frente o papo tomou outro rumo.

Roberto com voz arrastada, além do normal, confidenciou-me seu estado de decepção, ‘desde a adolescência alimentava o sonho de morar só, consegui uma estabilidade, viajar meio mundo...e taí...fiz tudo...procurei o que sempre quis, adquiri tudo, ao mesmo tempo me parece que não encontrei nada”, confidenciou-me.

Disse-lhe enquanto clicava sobre as demais fotos, ‘Sabe Roberto, eu não viajei tanto quanto você e nem tive as suas mesmas oportunidades, mas cara eu descobri algo muito importante...’ Roberto interrompe-me friamente, ‘por favor véi,tu ainda tá nessa, eu já sei o que tu vai falar e sabe muito bem que eu N- Ã- O - A -C -R -E –D- I -T -O em nada disso cara, por que você insiste nesta ilusão de acreditar em Deus caramba!?’

Repliquei no mesmo instante: ‘Ah! tá, ilusão o que eu acredito Roberto, mas tu não acha que ilusão é o que tu buscou e encontrando, taí... esvaiu de suas mãos como água, sumiu como fumaça’.

‘Por isso eu não procuro mais, eu descobri que o importante é o agora Paulo. Não existe um depois, um pra quê. Sabe, – encravando as mãos nos cabelos crespos – assim se vive muito melhor ’, revelou meio perturbado.

‘Vive é!? Ah! Tu chama isso de vida, cara isso é sobrevida. O problema é que você procurou fora de você e outra, você quer culpar Deus...’

Mais uma vez interrompeu-me Roberto: ‘Eu sinto muito Paulo, mas esse papo tu sabe que sempre termina assim, depois a gente se fala’, despediu-se.

Ao volante Roberto lembrava-se do dia de sua primeira comunhão. Recordou que naquele dia, na sacristia Monsenhor André, um religioso amigo da família, o puxou para o canto e ao apontar para o crucifixo disse-lhe, ‘sabe Roberto às vezes a vida parece uma grande confusão. O importante é nunca deixar de acreditar. ’ O idoso e sereno sacerdote Puxando do bolso deu-lhe um cordão com um pequeno crucifixo, o mesmo que ainda trazia consigo e puxava do bolso, franzindo a testa e batendo forte as mãos ao volante.

Ao chegar a casa encontrou um pequeno livro num invólucro muito bem feito, presente de uma amiga da antiga turma da faculdade. Abrindo-o, leu aleatoriamente o trecho que dizia, ‘podemos nos enganar facilmente pensando, como a maioria das pessoas, que a felicidade é uma seqüência de alegrias contínuas. É engano comum a busca ávida pela felicidade, tornando absoluto o que é relativo, fazendo dela um substituto de Deus.’

Ainda meio confuso com tudo aquilo Roberto liga para Paulo e desconcertado pergunta: ‘O que você diria se eu dissesse que gostaria de acreditar... ?’

Paulo, resoluto e despontando um sorriso, num fôlego só, comandou: ‘tô passando agora aí, vamos pra um lugar ali.’

Paulo e Roberto estão entre os milhares que já cruzaram o portal do Ginásio no qual acontece o Renascer 2009.


Dias 22,23 e 24 de fevereiro participe de um retiro de carnaval. Em Fortaleza participe do Renascer, no Ginásio Paulo Sarasate, entrada franca. A partir das 8h30.

Vanderlúcio Souza