30 de nov de 2012

Cresce número de pessoas apaixonadas por ônibus


busólogos em Fortaleza alimentam a paixão pelos carros grandes e se encantam com a pintura e ronco dos motores.

Escondido da mãe, a criança tomava os cubos de gelo, os enfileirava e explicava para os outros colegas que ali era um terminal de carros grandes. E foi assim despertando a paixão por ônibus em Tiago Fontenele, hoje com 25 anos, radialista.

 Adepto do hobbie, no mínimo, inusitado, o jovem coleciona objetos e conhecimento sobre os carros utilizados para transporte coletivo municipal e interestadual.

Somente há três anos descobriu que a paixão tem nome, igualmente esquisita, busologia e que existem outras pessoas que compartilham do mesmo interesse. Somente em Fortaleza são pelo menos um mil busólogos que se reúnem uma vez por ano e ao longo dos meses mantém contato através de sites, blogs e redes sociais.


A busologia não é uma ciência e sim um hobby que conquista número cada vez maior de adeptos. É um neologismo, surgiu no Brasil com Hélio de Oliveira, designer de ônibus e ex-funcionário da extinta fábrica de carrocerias Thamco. Busologia também não é profissão, mas quem é admirador faz com seriedade, tanto que existem empresas que apoiam a prática e levam em consideração as sugestões deste grupo de pessoas.

Tiago Fontenele com objetos colecionados 


O interesse nos carros se volta para as marcas, ronco dos motores, pintura e lataria. Colecionam fotos, brindes, cartazes, revistas, livros e informações em geral. Tiago não é diferente, os ônibus povoam seu imaginário e elementos do dia a dia. São chaveiros, miniaturas, esculturas de biscuit, tudo remete a paixão.

Assim como a maioria dos busólogos a paixão de Fontenele não é compreendida. “Tem gente que já chegou a dizer que isso era coisa de doido... Mas, não ligo!”, disse. E minimiza a estranheza causada. “É um hobbie como qualquer outro. Como existem pessoas que gostam de aviões, carros, barcos, existem os busólogos que apreciam o universo dos ônibus”, descreveu.

Marcelo Mousse, 23, atendente, chega a gastar um mil e quinhentos reais por mês com a paixão. “Muitos não entendem, mas eu gosto. Sou colecionador e faço isso com muita paixão”, justificou.

Tiago já chegou ao ponto de trocar uma viagem de avião que levaria 2 horas para chegar ao destino por uma de ônibus que demorou 24 horas. “Foi minha melhor viagem”, comemorou.


Fac-símile do site Fortalbus dedicado a busólogos

O que geralmente os busólogos observam em um ônibus é a pintura. O designer do veículo e o ronco do motor também chamam a atenção destes apaixonados. “Gosto sobretudo dos ônibus interestaduais, os do modelo G7 trucados da Marcopolo são os melhores”, destacou Fontenele.

O gerente de marketing da empresa Expresso Guanabara, Rodrigo Mont’Alverne, é um dos incentivadores do hobbie. “Realizamos um encontro anual com estes colecionadores. O último aconteceu em Fortaleza foi um sucesso e contou com busólogos de outros estados”, relatou. A paixão segundo o gerente é levada a sério, o que move a empresa apoiar iniciativas e sugestões dos busólogos.

Em Fortaleza circulam pelo menos 900 ônibus diariamente fazendo o transporte coletivo da população que em sua maioria está distante de ter paixão pelo tipo de transporte. “Até que a frota é nova, mas a lotação é tão  grande que nem dar para observar os detalhes de um ônibus”, brincou Wallace Freitas, 18, usuário do transporte coletivo.

Texto e Foto: Vanderlúcio Souza 

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