23 de mar de 2013

Ades, suco do inferno

O suco AdeS em determinada época de sua história precisou fazer um importante  reposicionamento de marca, ao mudar sua escrita de Hades para a atual. O nome anterior é sinônimo de inferno, termo negativo para uma marca.

O reposicionamento foi feito com sucesso e o AdeS se tornou um dos sucos mais consumidos no país até ser abalado pelo escândalos dos sucos com soda caustica devido a falha no envasilhamento do produto.

Neste episódio chama atenção a cobertura discreta da imprensa sobre o assunto. Não foi feito silêncio sobre o caso, mas é notório que falta uma cobertura investigativa. As informações apenas expõem o fato de um lote ter sido envasado com material tóxico e as declarações vagas dadas pela assessoria da Unilever, uma multinacional vendedora de bens de consumo. 

O colunista Carlos Brickman escreveu no Observatório da Imprensa destacando o bom comportamento da imprensa na cobertura do caso. "Jornais e revistas não chegaram a silenciar, mas também não perguntaram nada. A empresa falou e o caso se encerrou. Acontece que a empresa também não falou nada de importante.  O restante da imprensa tratou o caso com um recall simples – algo como o aperto deficiente de um parafuso no distintivo da marca do carro. E esqueceu que se trata de um caso de saúde ou doença, e em último caso de vida ou morte", diz um trecho do artigo.

Mas porque esta condescendência com a marca? Seria porque a Unilever possui em seu guarda -chuva mais de vinte produtos, todos com campanhas publicitárias nos diversos veículos de comunicação no país?

A imprensa  precisa fazer seu papel de ir além de fazer o jornalismo declaratório. É um caso de interesse público e apenas a retirada dos sucos das gôndolas dos supermercados  não responde a contento a necessidade de uma resposta transparente sobre o ocorrido. 

Um comentário:

Gustavo Vieira disse...

De fato, a imprensa talvez não tenha se posicionado como deveria neste caso. Por outro lado, foi a própria empresa que reconheceu o erro e fez um recall. Até aí, não vejo nada de errado.

Sobre o primeiro parágrafo, sou obrigado a discordar. AdeS foi criado na Argentina na década de 80 por um advogado que vendeu a marca para a Unilever (na época Best Foods) no momento de crise econômica. AdeS significa Alimento de Soja. Veja que na marca o A e o S são maiúsculos.

O único reposicionamento que a marca passou no Brasil foi a inclusão de sabores de frutas porque nós brasileiros não tínhamos o hábito de consumir bebidas com soja.